43. QUESTIONAR-SE

fonte da imagem: http://pontociencia.org.br/imgdb/experimentos/ef7896e71e777fe31d6e89d451e8d826.JPG

Por que eu continuo andando nessa estrada?
Ainda faz sentido seguir nesse sentido? 
Estão presentes os motivos que me levaram a encara-la?
Ou será que no caminho eles teriam se perdido?

Será que não seria a hora de mudar a direção?
Que não continuo apenas no piloto automático?
Caminhando sem pensar, sem compreender a razão?
Andando com olhos cegos, ouvidos tapados e passos apáticos?

Espero que o questionamento possa me dar um norte
Se ainda continuam no rumo a causa e o ideal
Porque se estiverem ausentes, melhor tentar melhor sorte
Mas se estiverem lá,  prossigo no mesmo ponto cardeal


Uma das coisas mais divertidas que a internet me proporcionou foi poder buscar e revisitar no Youtube trechos de participações de minha banda preferida, Engenheiros do Hawaii, em programas de televisão anos atrás.

Tão gratificante quanto assistir as performances nas músicas em si, é poder ouvir as entrevistas de Humberto Gessinger. 

Em uma noite dessas, vendo uma passagem deles pelo finado Programa Livre de Serginho Groisman, ao ser perguntado por um fã, se diante de uma grande dificuldade, eles já tinham pensado em terminar com a banda, Humberto respondeu: 

"Já, e diante de grandes facilidades também. Estou sempre pensando. Acho bom todo dia você acordar e pensar: será que eu devo continuar a ir nessa escola, nessa faculdade, será que eu devo continuar dirigindo esse carro.  Acho que todo dia você deve pensar se deve continuar fazendo alguma coisa para  nunca fazer as coisas automaticamente..."

Se alguém se interessar, o link é este aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=SGgLWK9YHho 

A princípio, a primeira reação que essa resposta me trouxe foi imaginar que, ao nos perguntarmos frequentemente se devemos ou não seguir em determinado caminho, inevitavelmente deixaremos de percorrer várias trilhas e corrigiremos o tempo todo a direção. Mais reflexivos, conseguiremos sempre ajustar as coordenadas, desligando o piloto automático e mudando de rumo constantemente em busca do roteiro original.

Mais críticos e sem fazer as coisas no "automático" nos depararemos mais frequentemente com rotas equivocadas. E estaremos prontos para retificá-las.

Porém, com um pouco mais de reflexão, pude entender que nos perguntar diariamente se devemos seguir em determinada direção pode, também, nos dar ainda mais certeza de que aquela é a direção certa a seguir. 

Nossa maior convicção do destino traçado pode vir justamente do questionamento.

Penso naquele profissional de Direito que depois de anos de carreira, desmotivado e sem ver um sentido naquilo que faz todo dia, se pergunta se deve continuar seguindo em frente. Nesse momento ele se lembra dos ideais de justiça e igualdade que lhe fizeram escolher essa profissão como sua e percebe que está no rumo que deveria estar.

Penso naquele casal quase idoso, depois de anos de um relacionamento difícil cercado de brigas e discussões, um já sem nenhuma paciência para aturar o outro; imagino a esposa se perguntando se deve continuar com esse velho rabugento, barrigudo e teimoso ao seu lado; até que ela se lembra de tudo que a fez escolher, ainda muito jovem, aquele homem como alguém com quem gostaria de viver para sempre. E percebe que por trás dos quilos e reclamações a mais e beleza física e vitalidade de menos, ainda persistem os mesmos valores, a mesma conversa divertida e interessante, o mesmo sorriso charmoso, e o mesmo espírito generoso que fizeram ela se encantar um dia.

Tão importante quanto corrigir um rumo tomado, nos perguntar todo dia se devemos prosseguir num determinado sentido poderá ser crucial para concluirmos que sim. 

E essa conclusão em vez de nos dar um novo caminho, nos dará uma nova perspectiva de enxergarmos a paisagem em volta dessa estrada trilhada e maior clareza sobre como serão tomados os próximos passos nessa mesma direção.

Sds,

Hugo

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