31. Ouvindo o coração




Fica como papel no vento
Voando sem direção
Quem permanece desatento
Ao que diz o coração

Hesitante, segue caminho
Que parece mais objetivo
Mas de repente se vê sozinho
Em lugar que não tem sentido

E aí nem bens materiais
Nem a cerveja do fim de semana
Serão capazes de trazer a paz
Que a dor de cabeça reclama

Pois corre risco a todo momento
De ficar totalmente sem chão
Quem permanece desatento
Ao que diz o coração

Pesquei as seguintes frases no twitter do Carlos Maltz:

“Para agir com força temos que estar sintonizados com nosso coração... Mas isso não é tão fácil... Temos que ter ouvidos para ouvi-lo... E geralmente a gente ouve a tudo e a todos, antes do nosso coração... Pois ouvir o coração pode nos levar a fazer algumas coisas que não são aprovadas pela maioria ou pela média “normal”...

E quem não ouve o coração fica que nem papel no vento... Pra lá e pra cá... E geralmente tem muita dificuldade para agir, pois não consegue fazer suas escolhas... E morre de medo de errar e ser julgado pelos outros...”

A reflexão acima faz muito sentido pra mim. Quantas vezes nós não fazemos escolhas mais preocupados em seguir um padrão do que seria certo e aceito pela sociedade do que pelo gostaríamos de fazer de fato?

Será que estamos ouvindo nosso coração, aquela voz “irritante” e persistente que fica martelando algumas idéias em nossa cabeça quando teimamos em seguir caminhos projetados pela voz da razão? A “razão” que impõe a necessidade de nos conduzirmos, por exemplo, para possuirmos um monte de bens materiais desnecessários?

Será que essa não seria a razão de tanta gente estressada, sem tempo para nada, implorando pela chegada da sexta-feira, quando poderão tomar uma cerveja e dormir um pouco mais?

Será que essa não seria a causa de tanta exaltação do álcool na publicidade e nas redes sociais?

Será que essa não seria a explicação do crescimento dos índices de depressão em todo mundo?

Ouvir o coração... Parece papo de gente alternativa, desfocada da objetividade da vida real. Mas, numa sociedade que tem como pilar o consumo e o status, será que ser “alternativo” não seria interessante?

***

A edição da Revista Vida Simples dessa semana traz reportagem de capa defendendo que antigos padrões da sociedade estão ruindo com velocidade cada vez maior, ficando mais fácil conduzirmos nossas vidas mais de acordo com nossas singularidades.

***

Um “espírita” ou “espiritualista” (não sei o termo certo) dando uma palestra essa semana, cujo tema era “Amor”, em certo momento disse que a “razão” celebrada pela sociedade contemporânea muitas vezes nos incentiva a vivermos desapegados de pessoas e de relacionamentos, para que fiquemos a salvo do sofrimento que inevitavelmente “relações amorosas” desencadeiam. Como se fosse possível viver sem sofrer... E sem amor.
 
Sds,

Hugo

PS: Como já dito por aqui, Carlos Maltz foi baterista dos Engenheiros do Hawaii, sendo hoje psicólogo, astrólogo, escritor e debatedor de idéias através do @carlosmaltz no twitter.

 

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